quarta-feira, junho 01, 2011

olé



eu nunca deixei por menos 
por menor o ardor que fosse
homem ou mulher nenhuma
me ombrear em meu lamento

eu não deixo ser humano
de gênero ou sexo que seja
tourear-me meus desejos
impingir-me o que quer que seja

pois sou dono do meu corpo
senhor de minhas vontades
só num ponto perco o timbre
só num canto jogo o xale

é o canto em que a morena
essa que eu amo e amo tanto
essa mulher é meu touro
meu olé é olhe ela e arde

jogo a capa na arena
deixo o touro me furar
e sangro como sangra um demônio
até o sangue se esvair
até acabar

e me prostro a morrer
para lhe mostrar
que quem morre de amor
morre pra mostrar
que morrer de amor
é melhor e é sem dor
ou é menos dor
que morrer
o amor

segunda-feira, maio 30, 2011

cordel reencantando


lampião…
meu candeeiro encantado
desencanta do lenine
tira essa calcinha preta
e veste a sunga do ednardo

lampião...
cabra da peste do ardor
que angico mais bonico
você viu lá no agreste
virado um mar de amor

maria, maria bonita
que tu fez com esse cabra?
botou um feitiço nele
amada de faca e fuzil
e diz que tudo se acaba

maria, bonita maria
serpente, bruxa e guião
morde logo esse moreno
e o que sobrar do veneno
fica de alimentação

lume de serra talhada
malhada do caiçara
antes que o encanto passe
corte nossas cabezotas
e espete na mesma vara

bonita maria, maria
encantou o lampião
num se acaba o encantamento
que ainda não nasceu volante
pra puxar meu freio de mão

.

domingo, maio 29, 2011

bebeto




eles e se é para a vida inteira
ele e se é dois de qualquer maneira
ela e se é um desejo de amar

qualquer e se é de outro jeito amigo
nenhum que é de outro jeito o perigo
todo cuidado se é vale a pena

que coisa bonita é e que sai dessa pena
qual a palavra é e a dor não condena
quantas tristezas o amor vai curar
como deixar de entender essa pena
quem faz da pena um jeito de acampar.


sábado, maio 28, 2011

os poemas morreram




os poemas morreram
os poemas acabaram
o poema, esse, último
os poemas tombaram
como continuar poemas
depois da primeira
trombada?

os poemas morreram
quando a palavra
enamorada
revê do nada nascida
nata, nata, nata, nata
tremblada

o poema morreu
quando a palavra vê
que o amor
não é

os poemas remorrem
quando a mulher
não é
mais nata

saída da via noturna
e com outro homem
combinada

ungida en santo antónio
y por otro hombre
amada.


quarta-feira, maio 25, 2011

brincadeira



vamos brincar duma coisa, vamos?
aceite se for audaz
não é brinquedo o negócio
é difícil, é foda, é trash e um
puta risco pros dois de nós

a brincadeira se chama “senhora”
a origem do nome eu nem sei
é um tipo assim de combinado
onde o cara que erra tá certo, e o que sabe
nem viaja que já acertou

a cada hora do dia, cada dia
de cada semana do mês
gata, você é a senhora
e escolhe pra mim um destino que eu
viva uma vez e não mais

cada encontro, na brincadeira
será uma odisséia inteira
de mil personagens em fila
fêmea, cafetão, o fauno e a ninfeta sem um
só elo que ligue a cadeia

o perigo é, charmosa pantera
se pra cada encontro nos traz
um desencontro no meio:
seja de fato senhora - faça de mim sempre um
nunca seu desencontrar.


que a distância não lance




entre nossa distância sequer passa
o papel da mais escassa gramatura
quase qualquer medida extravasa
o espesso da infinitesimal lonjura
o menor micrômetro mal e mal traça
o desvão que a clara vista em vão perscruta

a separação embora toque o insensível
despeja água em gretas nanométricas
e em fosso aberto um jorro desprezível
torna o suco enchendo suas arestas
o efeito acumulado beira o impossível:
proliferar canais fractais entre as florestas

do céu goteja o choro em bruta tempestade
o pesar de uma torrente forte em chão piano
estoura uma barragem toda de saudade
um lago inteiro esse pequeno duto alimentado
e sulca a saudade em muito pouco tempo
o leito nosso em catastrófico oceano.


domingo, maio 22, 2011

tradução



quando eu ficar velho, de cabelos ralos
daqui a muitos anos
você ainda vai me mandar presente
no dia dos namorados
felicitações de aniversário
e uma garrafa de vinho?

traduzo pra você essas palavras
de um roqueiro inglês
da cidade de liverpool
porque ainda que essas palavras
não sejam nascidas em minha boca
traduzem o que minha boca sente

que é amar e ser amado por você
por todos os dias do meu presente.


sexta-feira, maio 20, 2011

o que o quixote esqueceu de dizer



mas eu te amo tanto, mas tanto, mas tanto
que nem sei se esse amor tanto
é um amorzinho normal
ou um exagero desnatural

num vou falar é mais nada
senão começa a poetada
e ocê num merece um nada
se nada for genial

parei pra escrevê uns verso
só pra mostrar meu apreço
procê, amor mais gostoso
doce muié del toboso

pois se nada eu escrevesse
se nada escrito eu tivesse
eu chorava que nem criança
pois quem nada sempre alcança

.

terça-feira, maio 17, 2011

tarde de sonho e jardim




no arrabal albaicín
encontrei um palácio
mourisco por fora, por dentro e por trás

na morada alcazaba
encontrei um jardim
riscado de odores tomilho e albarraz

no jardim alhambrino
encontrei bem no meio
uma pedra perdida entre as flores de abril

sob a pedra negra
encontrei escondido
um fino tecido em carmim cachemir

sob o manto rubro
encontrei um pergaminho
coberto de letras pintadas em mel

no símbolo bruxo
encontrei o caminho
que torna à saida pro bairro albaicín

sonhei que ao invés
de haver uma pedra
e debaixo da pedra, o xale e o bilhete

sonhei que por baixo
da pedra sagrada
era o meu nome escrito em tua pele febril

.

segunda-feira, maio 16, 2011

Orvalhos na sua frente



Eu ficom vergonha de ter orvalhos na sua frente
Eu ficom vergonha de ser otários na sua frente
Eu ficom vergonha de ter ocasos na sua frente
Eu ficom vergonha de ser ousados na sua frente
Eu ficom vergonha de ser orgasmos na sua frente

A vida vem em ondas como quantums.

Eu tenho vergonha dos opiáceos à sua frente
Eu tenho vergonha dos oleados à sua frente
Eu tenho vergonha dos ordenados à sua frente
Eu tenho vergonha dos operários à sua frente
Eu tenho vergonha dos oceanos à sua frente

Você e eu não temos ideia de como é ruim ter ideias. Por isso são geniais as suas.

Eu sou vergonha se sem vergonha por sua frente
Eu sou insônia se não coloco por sua frente
Eu sou colônia se invadido por sua frente
Eu sou maconha se for tragado por sua frente
Eu sou cegonha se ordenhado por sua frente

Tudo está tão certo: vergonhosamente ir e vergonhosamente voltar

Eu sou remédio se re me dado em seu corpo quente
Eu tenho vergonha de ter vergonha (você não mente)
Você é a vergonha que eu ver ganhada me muda a gente

Só você me dirige a palavra: deixa eu só te amar.


.

domingo, maio 15, 2011

felicidadezinha




eu vi a felicidade
e ela zombou de mim

era um metro e vinte de felicidade
e ela aumentou o mim

tomei um banho de felicidade
e a ducha era tão pequena

que eu fiquei assim

o que faço agora?
quem eu amo agora?

eu vi a felicidade
e a felicidade tomou conta

deixo a poesia pra depois
prefiro falar
agora só de arroz

mortos logo ressuscitarão
e meu paladar
morre ao falar feijão

mando a poesia se mancar
prefiro andar
por sobre nós dois

ou somos já três?

as três mentirinhas logo acima
é sempre bom de falar
e quase sempre rima

o que a gente acontece é viagem que
nunca vai passar
de uma grande bobagem

tudo o que acontece com a gente
nunca vai passar

eu vi sua felicidade
com cabelos e olhos negros
e uma infância que nem se eu quisesse
nunca vai passar

to me.



.

sábado, maio 14, 2011

segunda serenata




sempre soube do monstro
só nunca soube pra que
servia o monstro
a mim nunca
nunca o monstro me serviu
e me servia entretanto

como uma luva

achava então que o monstro servia
tão somente pra afugentar
meus amigos
meus amores
e eu

e então
em um primeiro abril
conheci meu primeiro
grande amor da minha vida

e entendi que o monstro
não sou eu.

como uma luva.


.

quarta-feira, maio 11, 2011

amote s teamo




eute amo eute amo eute amo eute amo


fácil eu repetia isso
ad nauseamo infinitamante
de sulanorte a lestoeste
mas será mesmo amor?
será tudo isso honeste?
não é encosto feitiço ou peste?
façamos um teste

imagino-te agora menor
imagino-te (imagina!) burra
imagino-te bem mais nova
que a mais larva ou ova
das criaturas
a filha da filha daquela tua filha
e eute amaria amaria amaria amaria

juzgote ahora mayor
julgo-te entrevada
julgo-te em anos desequilibrada
gorda doida vaga e desdentada
como a pior da pior da cunhada
da tia maria
e eute amaria amaria amaria amaria

agora a prova final
a que a que não resistiria o mais puro casal
(se puro é o puro cinismo vestal)
e se tu não fosses quem tu proclamas?
e se em vez da tua eu fosse outras camas?
e se em vez de ti tu fosses um monstro
um alguém de distintas matéria e energia?

eute amaria amaria amaria amaria

eute amo eute amo eute amo eute amo
te digo e te posso dizer-te eute amo afinal
(mesmo se um ponto sozinho
é pequenininho e não ponto final)

passei no meu teste
que eu mesmo fiz
mas isso num é tudo
não há garantia
pois mesmo eu te amando
a mando de exu
se tu não me amas
eu tamos no cu

.

terça-feira, maio 10, 2011

toccata




todo dia espero te encontrar no outro dia
faço assim distinto de mestre caeiro
mas pela mesma razão
que é descrer da razão.

para mestre caeiro
aquilo que poderá ser amanhã
amanhã será o que é.
em mim o amanhã tão o é
que hoje me tens passado.

para mestre caeiro a realidade
é tocar o mundo.
em mim a realidade é
como me tocas tu, é
como és o mundo
quando espero te encontrar no outro dia.

.

segunda-feira, maio 09, 2011

haicai que cresce I




a lua só brilha
no anoitecer do dia.
medo de solar.

.

trago esta rosa.  
nem é bem para lhe dar.
você. é a flor.

.

e juntas. explodem
tua dor e a paixão.
e a terra tremem.

.

ratinho com fome.
pantera doce no mato.
fé deliciosa.

.

cerejeira flor.
as castanhas temporãs.
pau seco: amor.

.

domingo, maio 08, 2011

renascença



amei renascer
amei precisar precisar
de precisar
de você.
com você
sou extremamente
impreciso

eu quero querer
querer você
sem você
não quero nem
saber.

eu sei que sou seu
eu só
soul se 
ser você.

eu não uso gravata
eu não faço faculdade de ciência exata
eu curto bravata
tu pato, eu pata
eu vivo sonhando à cata
de cada pirada sonata.

eu refaço serenata
eu me atiro em qualquer catarata
eu me jogo em dentro do leite
e remexo por dentro do soro na nata
só não espere que eu bata
à tua porta trancata.

o leite deita no copo-de-leite
de novo coalha
e a nata renova
retalha em nata, em nada, em nata
amei essa mulher renascer
no meu querer
no meu precisar
amei renascida no meu ser

essa mulher (você)
me faz forte
uma vez na vida outra na morte
você me faz forte
pra sempre na vida
e meia horinha
na hora da nossa morte. amei.
renasci.
renasei.

quarta-feira, maio 04, 2011

animais domésticos



era uma vez três porquinhos:
pedrito, palito e palhaço
pedrito e palito pouco me importam
mas veja só palhaço!
palhaço fez uma casa toda de palha
uma loba, de longe e de perto tão boa quanto má
desejou palhaço
e gritou:
“abre essa porta que eu vou derrubar”
palhaço, inocente como só ele,
pensou:
“quem tem medo da loba, má e boa,
de longe e de perto?”
a loba, impaciente, repetiu:
“eu mando e não peço, e vou decretar
se não me obedece vai tudo pro ar”
e palhaço, mais que depressa, obedeceu
“eu abro, eu abro”, disse palhaço
e palhaço abriu a porta
e a loba entrou
e a loba, tão boa quanto má
de bem longe e de muito perto
aproveitou-se da inocência de palhaço
e mandou tudo pro ar
e comeu vivo o porquinho
vagarosamente
sem dó
nem piedade
e era uma vez mais
felizes


terça-feira, maio 03, 2011

2 de maio




transformei-me
de um dia de sol de setembro
(ou seria de maio?)
em nada.
a chuva caiu. - Caiu? - perguntei
eu já não sentia nada.
nem mesmo as nuvens que cobriam o céu.
nem mesmo o calor de um verão tardio
(ou seria um inverno tardio?)

saio de casa temendo um tempo
que nem sei qual é.
visto uma camisinha xadrez.
porque sim.

um setembro. dia 10, dia 11, 30 dias. - O que é um mês? - perguntei
Wallace vitorioso, edita-se o AI-5, Allende morto, 
tantas coisas importantes,

E eu aqui.
tremendo como um menino
ante um dia como outro qualquer.
dou um nome a esse medo? a esse dia?
digo o nome dessa Mulher?


segunda-feira, maio 02, 2011

copo-nus



hoje, às 08:35 da manhã, vi um copo sobre a mesa.
a mesa não me lembrou nada
(lembou-me você, meu amor, que é nada e o oposto de nada).

o copo me lembrou uma certa filosofia tao
que tal como outras
orientações
voa baixo - sem roçar - pelo entorno
do vidro ou do plástico ou da porcelana ou da pedra ou do barro
do copo
e toca no nada
no nada fora e
no nada dentro
do copo.

nada fora do copo estamos o mundo
nada dentro do copo está
o ser-copo, o copear,
nada dentro do copo onde e de onde se entornam
ou habitam, ou vivem
águas, cafés, leites, sucos, cervejas e champanhes
e nós, o mundo, sorvemos
de dentro (do copo) pra dentro (do mundo)
águas, cafés, leites, sucos, cervejas e champanhes.

nós, cá fora, nós, o mundo,
também somos copo
também copeamos
e ao copo voltaremos
quando a sede implora sorvermos, entornarmos, habitarmos e vivermos.


domingo, maio 01, 2011

philosophia

eu não conheço física quântica eu não decifro a escrita sânscrita eu entendo pouco das leis trabalhistas nem mesmo lembro de toda notícia eu não compreendo economês eu não decoro o nome de alguns de vocês eu não consigo sequer imaginar como é a vida no fundo do mar eu ignoro o nome das capitais das ex-repúblicas soviéticas eu mal-mal estudei na escola a disciplina de estética pra mim é rigorosamente impossível explicar o funcionamento do lançamento de um míssil sou surdo em bem mais de noventa e nove vírgula nove por cento das línguas do orbe fatalmente eu me atrapalho com a maioria dos jogos de baralho prefiro nem tentar aprender a bordar, tricotar a cerzir e a cozer para matérias muito exatas sou um perfeito débil mental da estatística mais banal às agudezas baratas do cálculo diferencial eu não saberia precisar de posse dum calendário lunar em que terça-feira santa, meu bem, cai a páscoa do ano que vem

e ainda assim
o mundo é claro pra mim
sei que ela é o meu amor
sei, sobretudo, que amo
e a felicidade sabe-se
muito bem

sábado, abril 30, 2011

confissão




pai,
ajoelho-me eu ante ti
sobre estes milhos cozidos
pois se crus fossem doíam
e confesso a ti meu pecado:
eu amo! me perdi!

mãe,
volto-me ao ventre que é teu
pra confessar que, sim, eu
(senta-te e escuta):
logo este filho da puta
ama outro alguém que não tu

deus,
vós que aí estais nesse céu
com anjos e serafins
ouvi tal vil confissão:
gozo de tanta paixão
quereis o senhor ou que não

amor,
vês que confesso meu mal?
vês que nem peço perdão?
se o pai, minha mãe e até deus
dão-me a benção forçada
tu, que eu mais amo, dás nada?

amor,
se ainda insistes na culpa
por minha fingida dor
confesso ao pai, mãe e adeus
que não mereço esse gozo
que só dez graças te deu

amor,
nenhum pecado é eterno
nem toda culpa é de alguém
cobre-me todo de beijos
quando eu te ver na floresta
que eu te prometo estar bem

amor,
confesso é céu cá na terra
não ter e ter-te outra vez
e a verdade mais fecunda:
não amasse eu tanto a tua alma
a maria a tua bunda

.

quinta-feira, abril 28, 2011

mar


és sou em um barquinho engolido pela grande onda de hokusai 
deslizando sobre, mergulhando sob, surfando sobre
a grande e molhada e salgada grande onda de hokusai
a forte e melada e doce devastadora onda, onda de hokusai

és sou amedrontados e firmes ante o poder, o mar e o controle
és sou impotentes ante a natural natureza da tempestade
és sou santa bárbara de caeiro, iansã de terreiro
fantoches e deuses do vento inflamos a grande onda de hokusai

a onda cai sobre o que és sou, a onda tapa os corpos nus
a onda bate e quebra em tu eu, a onda anda as pernas nós
a água entra e sai, vara o teu meu corpos e areia-nos praia
és sou turbilhados, encharcados nós de agás, dos dois e de ós

e o barquinho subimos no cume e o topo e a crista
da grande e majestosa energia em onda, onda, onda, onda, onda
onda.
toca a ponta da língua infinito sublime, a grande onda de hokusai

e em jato d’agua o barquinho parte-se em mil destroços
e a espuma branca cobre e recobre o que és sou
e espalha-se em tu eu em pasta a espuma branca
no teu meu coxas
no teu meu ventres
no teu meu peitos
no teu meu carne entorpecidos
no teu meu corpo desaparecidos

quarta-feira, abril 27, 2011

pra você acordar com isso



de noite
toda noite, cada singular e clara noite
sua ausência e sua presença unidas em aliança me tomam o poder
e me botam (eu me boto) sitiado pelos flancos a escrever
...
se toda noite
escrevo, não é só para si, muito menos nem pra mim
é pra você acordar com isso de manhã
cada manhã, toda singular e clara manhã
...
pela noite
o verso alimenta (dá de comer à) sua transpresença forte
e veste a verdade (o amor) em código público
só pra acordar você com isso de manhã
...
só à noite
só pra mexer com você sem a tocar
só pra retocar a ferida, sem remexer
só pra trocar você por nada mais que isso
...
cada noite, cada noite, cada noite, cada noite
...
é quase manha, é quase mentira
porque sou eu (e não o meu escrever)
quem quer acordar com você de manhã
quem mora do lado de cá do anoitecer


.

domingo, abril 24, 2011

folhas

tocadas pelo vento ou
por vontade própria ou
por qualquer outro motivo
ateu
as folhas
soltam-se da segura árvore e
tomam juntas uma direção
oblíqua
rodopiam juntas
juntas entram pelas janelas
juntas roçam o rosto das pessoas e
o sexo dos animais

o papel das folhas é
mudar de papel
inverter os papéis
subverter pela ordem
oblíqua
da coerência própria

soltamo-nos da segura árvore
voamos ao
sabor do vento
ou quando o vento cessa ao
sabor de outros sabores
por qualquer motivo meu
ateu

entramos pelas janelas
roçamo-nos os rostos e
o sexo dos animais
qualquer motivo
meu é teu
qualquer papel
teu
é uma folha solta

sábado, abril 23, 2011

amor

você mostra pro mundo
tudo.
você
tem
um jeito.

você é melhor que a vida
toda.
você
faz
de tudo.

você mexe comigo
todo.
você
sabe
tudo.

você é a verdade
e a vida.
você
é
meu mundo.

você precisa, menina
aprender.
você
não para de
me prender

você merece, mulher
outro alguém.
você
é tudo e ainda é
meu bem.

eu te amo
e você
também.

você me ama
e eu
também.

nós é melhor
que
você
e
eu.

é preferível
você
ser
meu
bem.