sexta-feira, junho 26, 2015

comentário curtido (um hip-cordel-hop de auto-ria desconhecida)






bloquear o blackbuster
boicotar o boticário
arrumar uma arapuca
com a peruca no armário
é doença de ódio sonso
antiética de otário
decorar cada discurso
de autor autoritário
mete o pau e mente mal
essa classe bem nutrida
cada dia mais gordinha
de lamber outra ferida
diz que índio é invenção
e enfeita o noticiário
diz que diz contra o ladrão
e favorece o falsário
diz que cota é anormal
e celebra o salafrário
diz que preto é animal
e dirige em quatro patas
diz que o cu do outro é ruim
e nos leva pro buraco
lá no fundo da vergonha
que perdeu no facebook
na falta da inteligência
é aí que tá o truque
de dizer qualquer bobagem
sem pensar na consequência
de foder toda a inocência
chamando de malandragem
é por isso que alguns dizem
que tudo tá diferente
que a hora agora é de crise
e o país não vai pra frente
se adiante então,  amigo
dê um passo a mais, irmão
a galera aqui de trás
vai te dar um empurrão
que aqui do fundo do poço
do meio aqui do grotão
daqui do mato, da roça,
vamos te dar uma mão
aproveite o embalo
e leve junto pro ralo
tua galera de bandido
que com anel de doutor
de gravata e gravador
patrulha uniformizada
e conta no exterior
vai finalmente provar
do litoral brasileiro
salgadas águas do mar
e pela corrente leste
que vai daqui a paris
te levem bons ventos, peste
que aqui eu nunca te quis.
.

terça-feira, fevereiro 03, 2015

Orikaju pra dona do mar





Pega, pega a oferenda
pra lá
Pega e leva pro mundo no canto de tudo, pro fundo do mar.

Quem era esse cara, quem era, quem é-rá
Esse quero-cara tenso, quem é-rá
Levou esse cara, levada lavado
Na água do mar
Uraca leva o vento, furacá
Oferendou incenso
Pra Yemayá
Que não morras pegando a oferenda – disse ele à dona do mar,
em iorubá
Que não morras me ofertando – disse a deusa a quem veio lhe dar,
em yoruba
Hora finda e vou embora
Hora lá fora, hora dela, da Senhora
Dia dela, dia dois
A maré amarela lavando na cheia a areia depois
Mês sangrando o mês dela primeiro
Diadema, mês fervendo, dia febreiro
Dia do raio, ô doido, odoiá
Já era esse cara tenso, pelas tabelas, levou-o o mar
Deu manso o incenso pra ela, ontem é dia da bela é dela Iemanjá
Que não morras me ofertando – disse a deusa a quem veio lhe dar,
em iorubá
Que não morras pegando a oferenda – disse ele à dona do mar,
em yoruba

Pega e leva a minha bença
pro mar
Acende e incensa o fundo da terra com o que eu vim lhe dar.