quinta-feira, setembro 19, 2013

labiorinto



é lento
o passar da tarde
não é tarde
pro meu alento

a boca
em outra boca
tem sabor
de sol fecundo

é corpo
que o beijo habita
é beijo
o meu labirinto

deixo cair
profundo
em sono
a dor que eu tinha

deito no colo
teu
devo-me a ti
sem medo

fios interligados
histórias
que não
terminam

minha cabeça
de boi
num prato
te sirvo agora

aproveita-te,
amor,
do meu resto

sou homem,
e tu
também és

tua alma
mais pura
molha-a de mim,
meu amor

aproveito-me,
amor,
dos teus gestos

és
mulher,
também sou

na casa,
a sós,
que dédalo fez
para nós

deixamos o rosto
deixamos o gosto
de nossa paz

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quarta-feira, setembro 04, 2013

bojador

a suavidade bruta
ri dos meus desejos
inflama minhas dúvidas
arde, beijo a beijo.
nada morre nas lembranças
entre as Velhas e o Tejo.

fio do meu labirinto
ergue esse sol outra vez
lava esse peito do entulho
iça os escombros do mar.
nada morre de esperanças
além das Velhas e o Tejo há o amar.
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sexta-feira, agosto 30, 2013

A pluma



por descuido,
deixei minha janela Aberta
ontem de noite.

de madrugada,
entrou por essa janela
uma pluma.

linda, suave.
penugem violeta no flanco.
duas gemas verdes no topo.
uma fruta vermelha no rosto.
dizeres negros tatuados no raque.
bárbulas loiras, cantantes:
- uma pintura!
(se visto eu tivesse A pluma)

cega, celíaca, miálgica. biplumar pluma.
(se visto eu tivesse A pluma)

eu dormia,
lera umas prosas noturnas de mistério policial,
talvez montalbano ou maigret, ou o poirot.
(ou um livro de contos de doyle 
sobre o Além e o horror)

e entorpecera, desnudo. na cama.

A pluma entra em meu quarto,
roça meu rosto,
revoa em meu peito.

e pousa em meu pinto triste, Amolecido. Adormecido.

pela manhã Acordo,
e não há pluma
nem nada.

só meu pinto riste, Amanhecido. e Aprumado. 
e melado me conta
As Aventuras dum Aplumando descuido.

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segunda-feira, agosto 26, 2013

dor no coração






A dor do coração
é nada
no peito.

Pior é o peito
e os braços
e o tronco
e as pernas
e os olhos
e os lábios.

Que aninham no peito
e que abraçam
e entorcem
e andam
e olham
e beijam:

- A tal dor do coração.

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quarta-feira, agosto 21, 2013

Re-rata



Posto-me eu nome a comer
Comer
Comer
Comer
Comer
Como se eu nome de dar
De comer
Fosse o sempre
Desejas sempre que eu seja o teu prato?
Meu nome é rato
Eu sempre, me dou, de comer.
Re-roa
Minha corda,
E eu te dou,
Meu re-ter.

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