Está no ar o blog do companheiro lingüista Pedro Perini, Gramaticalmente crônico. O texto "Ecologia de Inclusão" sobre as políticas e vivências das habilidades e desabilidades é (entre muitos outros textos) um brinco.
"A recente adesão do Brasil à Convenção Internacional sobre os Direitos de Pessoas com Deficiência é um fato histórico relevante. Uma vez signatário deste documento, o país ingressa em um grupo de países que assumem diante da ONU (Organização das Nações Unidas) o compromisso político de levar adiante práticas já em curso e desenvolver pesquisas, programas e políticas para tornar viável às pessoas que tenham alguma deficiência o exercício e o gozo do lazer, do trabalho, da família, da política e das individualidades de cada cidadão, sem discriminação de cor, credo ou corpo...".
Confira o texto completo no original: http://pedroperini.wordpress.com/2010/10/12/ecologia-de-inclusao/#comment-20
domingo, outubro 17, 2010
sexta-feira, agosto 27, 2010
É de graça, é na praça, e é livre
Dia 12 de setembro, domingo, na Praça da Liberdade em Belo Horizonte, acontece o 8º ano do Livro de Graça na Praça - LGP 2010, com distribuição gratuita do livro Contos de Tradições, com 18 autores, de livros infantis pela Aletria, e de cordéis.
O LGP 2010 faz parte do calendário de eventos de Belo Horizonte e conta com a participação do Clube do Livro, IBC, SENAC, SESC, Corpo de Bombeiros, PMMG, Mazza Editora, Copasa e Belotur.
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segunda-feira, junho 14, 2010
O índio de mentira
Uma versão do famoso ato do apóstolo são Tomé (ver e então crer) tem sido praticada com entusiasmo cada vez maior pela grande mídia e seus espectadores. Nessa versão, o ato de ver (ou ler) exige a imediata crença no visto ou no lido. O curioso é que, se reprovamos em são Tomé a falta de fé, o pecado da nova versão é o excesso. Ou a falta de visão crítica. Mire-se no exemplo da revista semanal que atende pelo apropriado nome de Veja. A revista atingiu o cúmulo do neo-sãotomeísmo em sua matéria especial “A farra da antropologia oportunista” (edição 2163, de 05/05/2010). Não custa ver com os próprios olhos um trecho no início da matéria que, creia, diz assim: “Áreas de preservação ecológica, reservas indígenas e supostos antigos quilombos abarcam, hoje, 77,6% da extensão do Brasil. Se a conta incluir também os assentamentos de reforma agrária, as cidades, os portos, as estradas e outras obras de infraestrutura, o total alcança 90,6% do território nacional.”.
O texto é indubitável. Apresenta o fato assombroso, embrulhado em precisos percentuais, de que índios, quilombolas e camponeses (que pensávamos ser a porção marginalizada do Brasil), somados à cobertura de mata virgem cada vez mais reduzida (não me pergunte como obras de infraestrutura entram na conta), tomaram conta do país, numa épica revolução silenciosa. O que sabemos sobre 500 anos de massacres, subjugações e humilhações dos índios no Brasil é pura ilusão. Devemos crer que os verdadeiros brasileiros estão acuados e quase expulsos pela indiada ressurgida das cinzas.
A matéria segue dando asas a uma imaginação fértil e perversa, denunciando a “indústria da demarcação” que enche de dinheiro o bolso de antropólogos e índios. Numa redação, digamos, ousada, o texto desfila subtítulos que na minha terra seriam considerados maximamente preconcei-tuosos: “Os novos canibais”, “Macumbeiros de cocar”, “Teatrinho na praia” (índios fantasiando-se de índios!), “Made in Paraguai”, “Os carambolas” (os supostos quilombolas!).
Não há o que comentar. O visto fala por si.
Não há o que comentar. O visto fala por si.
Há questões graves aí: a matéria desrespeita a boa prática jornalística (o trato com os fatos e pessoas reportados); desrespeita toda uma classe profissional (os antropólogos); e assume a defesa clara (e invisível) dos interesses mais predatórios, que avançam insaciavelmente sobre índios e terras desde que somos Brasil. Tudo isso é muito sério mas quero frisar uma quarta questão. Crer à primeira vista só é possível quando a mídia mostra o que queremos ver. Por mais miseráveis e desarmados de suas culturas pelas frentes de civilização, o índio sempre continuou sendo índio. E isso nós não aceitamos! Como os demais povos que fizeram o Brasil e, bem ou mal, se abrasileiraram, queremos que o índio faça o mesmo. Nos roemos de raiva com a insistência do índio em ser índio, e, ao ridicularizá-lo, a Veja nos dá o meio de revidarmos. Acredite quem quiser.
Publicado em O Tempo, 13/06/10
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sábado, maio 29, 2010
Umbigodumundo
“Berço da humanidade ” virou lugar-comum para a África. Este continente já produziu tantas diásporas fundadoras - umas das mais recentes fez da Bahia e de Havana ultramares iorubás - que o termo “afrodescendente”, no rigor da história , não discrimina nada , pois nos nomeia a todos . Na Brancolândia, evolucionistas das mais diversas furta-cores ideológicas contorceram-se em suas teorias e, por mais que não gostassem (isso nem é racismo , é algo mais fundamental : medo do escuro ), as origens , quaisquer origens quando o assunto é o bicho-homem, inevitavelmente transcaem na África. O velho Darwin já tinha matado a charada , sem nunca ter visto um fóssil humano africano : se nossos parentes mais próximos - gorilas e chimpanzés - vivem na África, eis um lugar incomum para uma origem comum . E, de fato , desde a profecia odu-darwiniana, nada demasiadamente humano com mais de 2 milhões de anos foi, até hoje , desenterrado fora da África. Nada , nada , nada , Blitz dixit.
Publicado no Cometa Itabirano novembro/2008
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