segunda-feira, agosto 26, 2013

dor no coração






A dor do coração
é nada
no peito.

Pior é o peito
e os braços
e o tronco
e as pernas
e os olhos
e os lábios.

Que aninham no peito
e que abraçam
e entorcem
e andam
e olham
e beijam:

- A tal dor do coração.

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quarta-feira, agosto 21, 2013

Re-rata



Posto-me eu nome a comer
Comer
Comer
Comer
Comer
Como se eu nome de dar
De comer
Fosse o sempre
Desejas sempre que eu seja o teu prato?
Meu nome é rato
Eu sempre, me dou, de comer.
Re-roa
Minha corda,
E eu te dou,
Meu re-ter.

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sexta-feira, julho 26, 2013

desejo volta




passa um troço
uma coisa doida
fica um desejo
de morte

o pé firme
a mão leve
o teu gume
o meu corte

entra ano
em sai ano
desejo volta
mais forte

já não conto comigo
já não faço pedido
já não posso contar
com sorte

a vida só segue graças
a
que
te
amo
.

quinta-feira, julho 11, 2013

Um rato







Um gato
Preso no fundo de um poço
Mira um ratinho lá em cima

Que mira o gato lá embaixo
Um grito
Fere o silêncio por dentro

Muda o que a voz não alcança
Muda a vontade lá embaixo
Um rato

Queda a canção mais um pouco
Queda no hondo do pozo
Queda a beleza lá embaixo

Um prato

Quebra-se a dor em pedaços
Cobre de amorestilhaços
Cobra o juntar desses cacos
.

quinta-feira, junho 27, 2013

Água turva




Água turva, turva, turva
Aguardo-te aqui, água turva
Sobre ti uma touceira de rosas viúvas
E tu és turva, turva, água
E cai sobre ti uma pétala
De uma rosa viúva do cacho
Da touceira que tomba por sobre
A água turva, que aguarda-me aqui.

E a água permanece turva.
E returva, e returva, e returva.

Um observador observa
a touceira de rosas viúvas
que sobre a água recurva.

A água permanece turva, turva.

Que não acalma a água se a ela
vidiamos, deixando-a quieta.

Em guarda.
E quieta.

Só calma a água se em ela
nadamos por dentre o olho dela.

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